10 de julho de 2021

A mãe também lê - Artemis, de Andy Weir

 Já tinha lido o primeiro livro de Andy Weir, O Marciano, há uns anos e já conhecia a sua escrita minuciosa, divertida e cientificamente verosímil. E se em Marte sustive a minha respiração algumas vezes, na Lua estive à beira de um ataque de nervos.

Artemis é a única colónia na Lua, num futuro não muito distante. Um conjunto de cúpulas, uma população não muito grande e levas de turistas que animam a vida na cidade. No fundo da cadeia alimentar está Jazz, cujos sonhos são ter um quarto onde possa estar em pé e um chuveiro só para ela. Quando assume um trabalho muito arriscado põe em andamento uma cadeia de acontecimentos maior que alguma vez imaginou.

A escrita de Andy Weir é de loucos. Tem tantos pormenores que é como estar lá. Há alturas em que quase nos decepcionamos, pensando que, afinal, era demasiado previsível, para na frase seguinte sermos surpreendidos com um desenvolvimento novo que vira tudo de pernas para o ar e só pensamos que é desta que ela não se safa (um bocado ao estilo d'O Marciano). Só me faltou roer as unhas, ler este livro era querer saber o que acontece a seguir e, ao mesmo tempo, não querer saber porque não ia ser boa coisa de certeza. A personagem principal está muito bem idealizada. Jazz não é uma mulher convencional, mas acabei por me identificar bastante com ela em vários aspectos. Ou então desejei ser mais como ela. Uma dessas opções.

Vale bem a pena ler, para quem gosta de ficção científica e talvez mesmo quem não ache muita piada a este género. É que de fantasia tem pouco, e baseia-se em ciência a sério, pelo que dá para imaginar algo assim a acontecer mesmo daqui a umas décadas. 


Esta review foi também publicada no site Goodreads, em Sónia Pisco’s review of Artemis | Goodreads .

13 de janeiro de 2021

A aranha (não tão) pequenina

 O Xavier chamou-me a atenção para uma mosca apanhada numa teia de aranha, junto à janela. Certamente atraído pela luz (aranha inteligente), o insecto ficou preso e ainda se debatia em vão, enquanto a aranha (porra que a bicha é enorme, onde raio é que tem andado esta coisa escondida?) se atarefava à sua volta. Olhámos para o lado durante uns minutos e quando voltámos a olhar para a janela, nem mosca, nem aranha e quase nem teia.

Para onde é que foram?!

Fui espreitar e vi movimento dentro do vaso do cacto, num ângulo para onde não costumamos espreitar (a bicha é mesmo inteligente, chiça, escusava era de ser tão grande...). A dona aranha arrumava a sua presa no cantinho, bem aconchegada com uma boa parte da teia que tinha arrastado com ela. 

Quase me sinto envergonhada com o exemplo de arrumação e eficiência do aracnídeo, tratou de tudo num instante e tão bem que nem me teria dado conta se não fosse o Xavier. Mas depois lembro-me que se não fosse a minha preguiça em limpar aquela janela, destruindo a teia, a dona bicha não teria nada para armazenar na sua casa que tão atarefadamente se esmerava em arrumar. Afinal, todos temos o nosso lugar no ecossistema: a mosca, a aranha e eu (mais ou menos).

Agora quando for limpar aquela parte da sala vou ter de olhar duas vezes antes de pegar num vaso, porra!


imagem tirada daqui


3 de novembro de 2020

Momento Zen do dia #38

 De manhã, antes de ir para a escola...

Júlia: Mãe, quando tu nasceste já havia carros?

Eu: ... sim, já há bastante tempo...

Júlia: Olha, afinal não és tão antiga como pensávamos!

8 de agosto de 2020

Oito anos de amamentação

 8 anos.

Este é o total acumulado de tempo em que amamentei os meus 3 filhos. Não tenho direito a uma medalha, ou assim? Tipo "Leiteira veterana" ou "Mamilos de diamante"?

Quando me preparava para o nascimento do Xavier, há 11 anos, e aprendia sobre a amamentação, truques e dicas das enfermeiras, nunca me passou pela cabeça que daria de mamar tanto tempo.

Mas dei. Cada um dos meus putos mamou mais que o outro. Amamentar uma criança que já não é bebé não foi estranho, foi natural. Pelo menos para mim. Para os outros pelos vistos fazia muita confusão. "Ainda mama?!" ; "Mas tu ainda tens leite?!" ; "Ah pois, agora eles mamam até entrar na escola não é?" (colocar aqui um sorrisinho sardónico)... Toda a gente gosta de dar a opinião. Mama, pois, não estão a ver? Se não tivesse leite, ela não mamava, não é? Esteja descansada, não vai mamar até entrar na universidade. Estas eram as resposta que ia dando, tentando ser educada, mas mandando à merda em pensamento.

A Ana convenceu-se finalmente que a fonte secou há coisa de um mês ou dois, com 4 anos. E secou porque ela gradualmente foi mamando menos e menos vezes.  Fui dando dicas, reduzindo a oferta, trocando a mama por outros mimos... até que realmente deixei de ter leite. E ela deixou de estar interessada. 

E, ao contrário do que aconteceu com o desmame dos irmãos, desta vez não me doeu o coração. Desta vez, eu estava mesmo pronta. Para deixar de amamentar, para deixar de ter bebés. 

Apercebi-me entretanto que, desde que engravidei do Xavier, há mais de 11 anos, só tive um ano (no total) em que não estava grávida ou a amamentar. Em mais de 11 anos, o meu corpo foi só meu por um ano. Agora é definitivamente meu. Sem me preocupar se o que como ou bebo poderá afectar a criatura que ainda depende de mim. É claro que, mesmo sem mamar, os monstrinhos continuam a sugar toda a minha energia, mas isso é da maternidade, não é?

Amamentar, como já escrevi antes, foi uma experiência muito boa para mim. Apesar do cansaço, de me sentir tantas vezes presa, de não dormir de jeito durante anos. Amamentar foi bom. Mas agora acabou.

Foi uma aventura que gostei de partilhar com os miúdos e agora, que eles cresceram, estou disponível para novas aventuras (adolescência ao virar da esquina... ai). 

Destes oito anos ficam as memórias, tão boas, que vou acarinhar até que o Alzheimer as leve.

A única foto que tenho do Xavier a mamar, já com 14 meses.
A Júlia com 6 meses
E aqui já com 2 anos e meio, a última dela a mamar
A Ana com 6 dias, a mamar à campeã



Dei de mamar em todo o lado

A última vez que a Ana mamou



26 de junho de 2020

Se a mãe diz... 3ª parte!

Não há mesmo duas sem três.
Ontem à noite, a Nocas veio muito chateada do quarto dos irmãos, porque não queriam brincar com ela:


- Os manos são merda.



Hmmm.... ups?


5 de junho de 2020

Momento Zen do dia #37

Hoje foi o pai que vestiu e penteou a Caganita, enquanto eu tomava o pequeno-almoço.
Antes de sairmos, estava eu a fazer-lhe os totós, diz-me ela:
- O pai é divertido.
- É, não é? - respondi eu.
- Sim. Tu não. 

Claro.

Mamã, qué cóio!

2 de junho de 2020

Momento Zen do dia #36

A Júlia estava amuar no quarto por ter sido castigada. Vocês sabem, sou uma mãe tão má...
A Ana queria estar com ela, mas a irmã expulsou-a.
Disse-lhe que não a chateasse mais.
Saiu da cozinha, de cabeça baixa e a rosnar:
- Também… tu nunca gostas de nós...

Ah, os quatro anos são os novos catorze, não são?
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