8 de agosto de 2017

E o que é que tu tens a ver com isso?!

Termina hoje mais uma Semana Mundial do Aleitamento Materno. Ontem fui ao encontro cá de Castelo Branco, onde falámos, para além da amamentação, do tema deste ano: o respeito pelas experiências individuais.

Vou ser sincera: não sou santa nenhuma. Julgo tanto as outras pessoas como qualquer outra. Sim, baseio-me nos meus valores e experiências de vida e avalio as decisões das outras pessoas. Mas com o tempo e a experiência de maternidade (que me obriga a engolir muita treta que já disse) tento não actuar e falar com base nesses julgamentos.

Eu sei que este tema não é novo na blogosfera, mas olhem, também me apetece deixar aqui as minhas ideias. O tema é a amamentação, mas na verdade pode aplicar-se a toda a maternidade, ou à vida em geral.

Vemos por esta web fora textos, posts de blogues, legendas de fotos e afins a criticar as mães. Porque não dão de mamar; porque não quiseram ter trabalho, não aguentaram umas dorzitas; porque são umas egoístas, não querem o melhor para os filhos... e vem a legião de seguidoras, a dizer que se esfole: nem se pode chamar mãe!, há gente que não merecia ter filhos!, deveriam ser proibidas de ter filhos!!

Chiça....

Então mas espera lá, diriam vocês, tu que estás na terceira criança a amamentar, que és acérrima defensora da amamentação, como podes defender estas péssimas mães?!

Há várias razões:

- quando acabas de parir, ainda com o pipi a latejar, a perder sangue, a tremer descontroladamente, cheia de sede, a sentires que acabaste de correr uma maratona, o que é que acontece? O bebé vai mamar. Assim, de chapa, caga para tudo, dormes depois: o bebé vai mamar. É lindo? É. Mas também é uma enorme violência. Graças pelas hormonas que fazem tudo enevoado e pareces pedrada com tanta oxitocina.

- quando dás de mamar, nos primeiros dois ou três dias, tens as dores tortas. No primeiro filho podem ser só uma moínha, mas nos seguintes pode doer como o raio. A sério, são contracções. É natural, é benéfico, mas dói como o caraças e não é o paracetamol que te oferecem que te vai tirar aquelas dores.

- vais para casa e só queres dormir, que na maternidade ninguém dorme, e lá está aquela criaturinha a chamar a cada duas horas. Às quatro da manhã, pela segunda vez nessa noite (e não vai ser a última), lutas para sair da cama (ainda dorida, lembram-se, e a ciática da gravidez ainda não passou completamente), tropeças a caminho do berço e quase choras a pensar no que é que foste fazer, as noites vão ser assim nos próximos meses.

- tens as mamas inchadas, os mamilos doridos e provavelmente gretados, e até uma pontinha de febre, é tudo novo, mesmo que não seja o primeiro filho, e toda a gente que te vai visitar mete o bedelho.

- não tens tempo para ti: se aproveitas para dormir, não tomas um duche; se tomas um duche, já não comes. Não podes sair por muito tempo porque o bebé vai acordar com fome assim que saíres de casa. O teu corpo deixou de ser teu quando engravidaste e continua a ser propriedade desse mini-humano que só quer estar pendurado nas tuas mamas.


Familiar? Pois. Fácil não é, para a maioria. Amamentar implica abdicarmos da nossa independência, do nosso tempo, do nosso corpo. É bom, mas extenuante.
Nunca sabemos o que é estar na pele daquela mãe. Qual a sua personalidade? As suas experiências passadas? A sua tolerância à dor, à fadiga, à privação de sono. As suas expectativas. Os seus sonhos. A sua família, o apoio que tem em casa.

Porque é que não devemos deixar que as nossas opiniões guiem as nossas palavras e os nossos actos? Bem, porque não é mesmo nada da nossa conta. Nenhuma de nós sabe mesmo o que está a fazer, só há algumas que disfarçam melhor. E se há algo de que nunca devo duvidar é o amor de uma mãe pelo seu filho.

"Ah e tal, quando eles crescem as coisas melhoram." Sim, as suas capacidades de mamar em qualquer posição melhoram sem dúvida, qualquer dia até faz o pino! 
(e a privação de sono continua, não durmo de jeito vai para mais de 5 anos, não se vê pelos meus olhos?)

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