4 de março de 2022

Momento Zen do Dia #40

 À entrada do Jardim de Infância, falava-se da vontade de ficar em casa em dias de chuva.

Educadora: E tu Ana, preferias estar em casa?

Ana: Eu só vim porque hoje sou a Chefe.

3 de janeiro de 2022

A mãe também lê - Imperial Woman, de Pearl S. Buck

É o primeiro livro de Pearl S. Buck que leio no original em inglês, numa edição de bolso de 1958 que encontrei num alfarrabista. Talvez por isso tenha demorado mais tempo a ler, ou talvez devido às extensas descrições que autora faz ao longo de todo o livro. O que não é mau, atenção! Buck descreve ambientes, pormenores arquitectónicos e de decoração dos palácios, até mesmo personalidades e estados de espírito de um modo cuidado, pormenorizado e, sim, belíssimo. Durante os últimos meses visitei a Cidade Proibida no séc.XIX, na sua imensidão de palácios, jardins e corredores e quase me parecia que por lá vivi. Mas não é só nas descrições que Buck é exímia. Neste livro, pegou numa personalidade histórica, a Imperatriz Tzu-Hsi, e conferiu-lhe a humanidade que normalmente é retirada às pessoas que ocupam altos cargos, especialmente as que tomaram decisões controversas e contestadas. Neste romance, acompanhamos Orquídea, o seu nome de menina, desde que é escolhida como concubina até perto da sua morte. A sua vida foi extraordinária, uma mulher a comandar um mundo em que as mulheres não tinham valor. Mas isso, qualquer wikipédia pode revelar. O que Buck consegue, fiel ao seu estilo, é devolver a Tzu-Hsi as emoções, os medos, as paixões e a tremenda solidão com que qualquer um de nós se pode identificar. Foi uma mulher singular, sim, extremamente inteligente e controladora das suas próprias emoções, ciente da sua beleza e do efeito que esta exercia, que fez uma escolha e a assumiu até ao fim, a muito custo pessoal, mas sempre honesta consigo própria. Mais uma obra belíssima de Pearl S. Buck, que vale a pena ler, apesar de ser tão difícil de encontrar.
Esta review foi também publicada no site Goodreads, em Sónia Pisco's Reviews > Imperial Woman

28 de setembro de 2021

Dia de folga

 Ainda nem acredito. Os três miúdos na escola, até pelo menos às três e meia, o marido no trabalho, a gata alimentada e satisfeita...

Tenho o dia para mim!

Acho que é hoje que vou comprar calças que me sirvam. Já só tenho um par sem buracos, e está no fio. 

Foi um looooongo confinamento.



30 de agosto de 2021

Momento Zen do dia #39

 A Caganita Maluca veio ter comigo, triste.

- Então,  filha, o que se passa? Estás triste?

- Sim, sinto a falta de um chupa-chupa. 

22 de agosto de 2021

Mais uma última primeira vez

 A Caganita Maluca veio ter comigo. "Mamã... dói-me este dente..." Fui ver e realmente um dos incisivos inferiores tinha a gengiva um bocado inflamada. Toquei-lhe e... abanou! Por um segundo o meu cérebro desligou-se e pensei no que é que a miúda teria feito ao dente. E então caiu-me a ficha.

Ela tem 5 anos. Um dente a abanar é normal.

Ri-me e anunciei-lhe que ela já tinha um dente a abanar e ela ficou tão feliz! Foi a correr ter com os manos para contar a boa nova e eles, num rasgo (raro) de fraternidade, começaram logo a dar conselhos para ela comer sem que lhe doesse o dente. E ela voltou para me dizer que quando voltar ao Jardim de Infância em Setembro os amigos vão dizer que ela já é crescida, e os olhinhos dela brilharam.

E eu fiquei na cozinha, a pensar que é mais uma última primeira vez que vivo com esta miúda. Ainda ontem, podia jurar, lhe nasceu aquele dente. Agora está prestes a cair.

Ter bebés é sempre aquela novidade, tantas coisas novas ao princípio. Depois crescem, e as novidades vão-se espaçando. Depois os irmãos passam por essas novidades de novo, e já não é tanto uma novidade, mas é algo de novo na mesma, porque nunca é igual e é sempre excitante e emocionante.

Mas saber que com ela se fecham estes episódios de vez, que é a última vez que um filho meu perde um dente pela primeira vez... é como se uma parte da minha vida se fechasse também.

Mas...

O Monstrinho está já na idade em que se estão a acabar os dentes de leite. Está prestes a entrar na adolescência e há tantas novidades ainda para viver com ele, e depois com as irmãs. Aventuras novas, fases novas, que eu não conseguiria apreciar estando imersa na fase de um bebé. 

Então apertemos os cintos que, segundo a Caganita, ela já é crescida e está pronta para muitas novidades e aventuras e eu vou ter de juntar as poucas energias que me restam para acompanhar esta trupe.



10 de julho de 2021

A mãe também lê - Artemis, de Andy Weir

 Já tinha lido o primeiro livro de Andy Weir, O Marciano, há uns anos e já conhecia a sua escrita minuciosa, divertida e cientificamente verosímil. E se em Marte sustive a minha respiração algumas vezes, na Lua estive à beira de um ataque de nervos.

Artemis é a única colónia na Lua, num futuro não muito distante. Um conjunto de cúpulas, uma população não muito grande e levas de turistas que animam a vida na cidade. No fundo da cadeia alimentar está Jazz, cujos sonhos são ter um quarto onde possa estar em pé e um chuveiro só para ela. Quando assume um trabalho muito arriscado põe em andamento uma cadeia de acontecimentos maior que alguma vez imaginou.

A escrita de Andy Weir é de loucos. Tem tantos pormenores que é como estar lá. Há alturas em que quase nos decepcionamos, pensando que, afinal, era demasiado previsível, para na frase seguinte sermos surpreendidos com um desenvolvimento novo que vira tudo de pernas para o ar e só pensamos que é desta que ela não se safa (um bocado ao estilo d'O Marciano). Só me faltou roer as unhas, ler este livro era querer saber o que acontece a seguir e, ao mesmo tempo, não querer saber porque não ia ser boa coisa de certeza. A personagem principal está muito bem idealizada. Jazz não é uma mulher convencional, mas acabei por me identificar bastante com ela em vários aspectos. Ou então desejei ser mais como ela. Uma dessas opções.

Vale bem a pena ler, para quem gosta de ficção científica e talvez mesmo quem não ache muita piada a este género. É que de fantasia tem pouco, e baseia-se em ciência a sério, pelo que dá para imaginar algo assim a acontecer mesmo daqui a umas décadas. 


Esta review foi também publicada no site Goodreads, em Sónia Pisco’s review of Artemis | Goodreads .

13 de janeiro de 2021

A aranha (não tão) pequenina

 O Xavier chamou-me a atenção para uma mosca apanhada numa teia de aranha, junto à janela. Certamente atraído pela luz (aranha inteligente), o insecto ficou preso e ainda se debatia em vão, enquanto a aranha (porra que a bicha é enorme, onde raio é que tem andado esta coisa escondida?) se atarefava à sua volta. Olhámos para o lado durante uns minutos e quando voltámos a olhar para a janela, nem mosca, nem aranha e quase nem teia.

Para onde é que foram?!

Fui espreitar e vi movimento dentro do vaso do cacto, num ângulo para onde não costumamos espreitar (a bicha é mesmo inteligente, chiça, escusava era de ser tão grande...). A dona aranha arrumava a sua presa no cantinho, bem aconchegada com uma boa parte da teia que tinha arrastado com ela. 

Quase me sinto envergonhada com o exemplo de arrumação e eficiência do aracnídeo, tratou de tudo num instante e tão bem que nem me teria dado conta se não fosse o Xavier. Mas depois lembro-me que se não fosse a minha preguiça em limpar aquela janela, destruindo a teia, a dona bicha não teria nada para armazenar na sua casa que tão atarefadamente se esmerava em arrumar. Afinal, todos temos o nosso lugar no ecossistema: a mosca, a aranha e eu (mais ou menos).

Agora quando for limpar aquela parte da sala vou ter de olhar duas vezes antes de pegar num vaso, porra!


imagem tirada daqui


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