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3 de janeiro de 2022

A mãe também lê - Imperial Woman, de Pearl S. Buck

É o primeiro livro de Pearl S. Buck que leio no original em inglês, numa edição de bolso de 1958 que encontrei num alfarrabista. Talvez por isso tenha demorado mais tempo a ler, ou talvez devido às extensas descrições que autora faz ao longo de todo o livro. O que não é mau, atenção! Buck descreve ambientes, pormenores arquitectónicos e de decoração dos palácios, até mesmo personalidades e estados de espírito de um modo cuidado, pormenorizado e, sim, belíssimo. Durante os últimos meses visitei a Cidade Proibida no séc.XIX, na sua imensidão de palácios, jardins e corredores e quase me parecia que por lá vivi. Mas não é só nas descrições que Buck é exímia. Neste livro, pegou numa personalidade histórica, a Imperatriz Tzu-Hsi, e conferiu-lhe a humanidade que normalmente é retirada às pessoas que ocupam altos cargos, especialmente as que tomaram decisões controversas e contestadas. Neste romance, acompanhamos Orquídea, o seu nome de menina, desde que é escolhida como concubina até perto da sua morte. A sua vida foi extraordinária, uma mulher a comandar um mundo em que as mulheres não tinham valor. Mas isso, qualquer wikipédia pode revelar. O que Buck consegue, fiel ao seu estilo, é devolver a Tzu-Hsi as emoções, os medos, as paixões e a tremenda solidão com que qualquer um de nós se pode identificar. Foi uma mulher singular, sim, extremamente inteligente e controladora das suas próprias emoções, ciente da sua beleza e do efeito que esta exercia, que fez uma escolha e a assumiu até ao fim, a muito custo pessoal, mas sempre honesta consigo própria. Mais uma obra belíssima de Pearl S. Buck, que vale a pena ler, apesar de ser tão difícil de encontrar.
Esta review foi também publicada no site Goodreads, em Sónia Pisco's Reviews > Imperial Woman

10 de julho de 2021

A mãe também lê - Artemis, de Andy Weir

 Já tinha lido o primeiro livro de Andy Weir, O Marciano, há uns anos e já conhecia a sua escrita minuciosa, divertida e cientificamente verosímil. E se em Marte sustive a minha respiração algumas vezes, na Lua estive à beira de um ataque de nervos.

Artemis é a única colónia na Lua, num futuro não muito distante. Um conjunto de cúpulas, uma população não muito grande e levas de turistas que animam a vida na cidade. No fundo da cadeia alimentar está Jazz, cujos sonhos são ter um quarto onde possa estar em pé e um chuveiro só para ela. Quando assume um trabalho muito arriscado põe em andamento uma cadeia de acontecimentos maior que alguma vez imaginou.

A escrita de Andy Weir é de loucos. Tem tantos pormenores que é como estar lá. Há alturas em que quase nos decepcionamos, pensando que, afinal, era demasiado previsível, para na frase seguinte sermos surpreendidos com um desenvolvimento novo que vira tudo de pernas para o ar e só pensamos que é desta que ela não se safa (um bocado ao estilo d'O Marciano). Só me faltou roer as unhas, ler este livro era querer saber o que acontece a seguir e, ao mesmo tempo, não querer saber porque não ia ser boa coisa de certeza. A personagem principal está muito bem idealizada. Jazz não é uma mulher convencional, mas acabei por me identificar bastante com ela em vários aspectos. Ou então desejei ser mais como ela. Uma dessas opções.

Vale bem a pena ler, para quem gosta de ficção científica e talvez mesmo quem não ache muita piada a este género. É que de fantasia tem pouco, e baseia-se em ciência a sério, pelo que dá para imaginar algo assim a acontecer mesmo daqui a umas décadas. 


Esta review foi também publicada no site Goodreads, em Sónia Pisco’s review of Artemis | Goodreads .

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