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4 de março de 2022

Momento Zen do Dia #40

 À entrada do Jardim de Infância, falava-se da vontade de ficar em casa em dias de chuva.

Educadora: E tu Ana, preferias estar em casa?

Ana: Eu só vim porque hoje sou a Chefe.

30 de agosto de 2021

Momento Zen do dia #39

 A Caganita Maluca veio ter comigo, triste.

- Então,  filha, o que se passa? Estás triste?

- Sim, sinto a falta de um chupa-chupa. 

22 de agosto de 2021

Mais uma última primeira vez

 A Caganita Maluca veio ter comigo. "Mamã... dói-me este dente..." Fui ver e realmente um dos incisivos inferiores tinha a gengiva um bocado inflamada. Toquei-lhe e... abanou! Por um segundo o meu cérebro desligou-se e pensei no que é que a miúda teria feito ao dente. E então caiu-me a ficha.

Ela tem 5 anos. Um dente a abanar é normal.

Ri-me e anunciei-lhe que ela já tinha um dente a abanar e ela ficou tão feliz! Foi a correr ter com os manos para contar a boa nova e eles, num rasgo (raro) de fraternidade, começaram logo a dar conselhos para ela comer sem que lhe doesse o dente. E ela voltou para me dizer que quando voltar ao Jardim de Infância em Setembro os amigos vão dizer que ela já é crescida, e os olhinhos dela brilharam.

E eu fiquei na cozinha, a pensar que é mais uma última primeira vez que vivo com esta miúda. Ainda ontem, podia jurar, lhe nasceu aquele dente. Agora está prestes a cair.

Ter bebés é sempre aquela novidade, tantas coisas novas ao princípio. Depois crescem, e as novidades vão-se espaçando. Depois os irmãos passam por essas novidades de novo, e já não é tanto uma novidade, mas é algo de novo na mesma, porque nunca é igual e é sempre excitante e emocionante.

Mas saber que com ela se fecham estes episódios de vez, que é a última vez que um filho meu perde um dente pela primeira vez... é como se uma parte da minha vida se fechasse também.

Mas...

O Monstrinho está já na idade em que se estão a acabar os dentes de leite. Está prestes a entrar na adolescência e há tantas novidades ainda para viver com ele, e depois com as irmãs. Aventuras novas, fases novas, que eu não conseguiria apreciar estando imersa na fase de um bebé. 

Então apertemos os cintos que, segundo a Caganita, ela já é crescida e está pronta para muitas novidades e aventuras e eu vou ter de juntar as poucas energias que me restam para acompanhar esta trupe.



8 de agosto de 2020

Oito anos de amamentação

 8 anos.

Este é o total acumulado de tempo em que amamentei os meus 3 filhos. Não tenho direito a uma medalha, ou assim? Tipo "Leiteira veterana" ou "Mamilos de diamante"?

Quando me preparava para o nascimento do Xavier, há 11 anos, e aprendia sobre a amamentação, truques e dicas das enfermeiras, nunca me passou pela cabeça que daria de mamar tanto tempo.

Mas dei. Cada um dos meus putos mamou mais que o outro. Amamentar uma criança que já não é bebé não foi estranho, foi natural. Pelo menos para mim. Para os outros pelos vistos fazia muita confusão. "Ainda mama?!" ; "Mas tu ainda tens leite?!" ; "Ah pois, agora eles mamam até entrar na escola não é?" (colocar aqui um sorrisinho sardónico)... Toda a gente gosta de dar a opinião. Mama, pois, não estão a ver? Se não tivesse leite, ela não mamava, não é? Esteja descansada, não vai mamar até entrar na universidade. Estas eram as resposta que ia dando, tentando ser educada, mas mandando à merda em pensamento.

A Ana convenceu-se finalmente que a fonte secou há coisa de um mês ou dois, com 4 anos. E secou porque ela gradualmente foi mamando menos e menos vezes.  Fui dando dicas, reduzindo a oferta, trocando a mama por outros mimos... até que realmente deixei de ter leite. E ela deixou de estar interessada. 

E, ao contrário do que aconteceu com o desmame dos irmãos, desta vez não me doeu o coração. Desta vez, eu estava mesmo pronta. Para deixar de amamentar, para deixar de ter bebés. 

Apercebi-me entretanto que, desde que engravidei do Xavier, há mais de 11 anos, só tive um ano (no total) em que não estava grávida ou a amamentar. Em mais de 11 anos, o meu corpo foi só meu por um ano. Agora é definitivamente meu. Sem me preocupar se o que como ou bebo poderá afectar a criatura que ainda depende de mim. É claro que, mesmo sem mamar, os monstrinhos continuam a sugar toda a minha energia, mas isso é da maternidade, não é?

Amamentar, como já escrevi antes, foi uma experiência muito boa para mim. Apesar do cansaço, de me sentir tantas vezes presa, de não dormir de jeito durante anos. Amamentar foi bom. Mas agora acabou.

Foi uma aventura que gostei de partilhar com os miúdos e agora, que eles cresceram, estou disponível para novas aventuras (adolescência ao virar da esquina... ai). 

Destes oito anos ficam as memórias, tão boas, que vou acarinhar até que o Alzheimer as leve.

A única foto que tenho do Xavier a mamar, já com 14 meses.
A Júlia com 6 meses
E aqui já com 2 anos e meio, a última dela a mamar
A Ana com 6 dias, a mamar à campeã



Dei de mamar em todo o lado

A última vez que a Ana mamou



26 de junho de 2020

Se a mãe diz... 3ª parte!

Não há mesmo duas sem três.
Ontem à noite, a Nocas veio muito chateada do quarto dos irmãos, porque não queriam brincar com ela:


- Os manos são merda.



Hmmm.... ups?


5 de junho de 2020

Momento Zen do dia #37

Hoje foi o pai que vestiu e penteou a Caganita, enquanto eu tomava o pequeno-almoço.
Antes de sairmos, estava eu a fazer-lhe os totós, diz-me ela:
- O pai é divertido.
- É, não é? - respondi eu.
- Sim. Tu não. 

Claro.

Mamã, qué cóio!

2 de junho de 2020

Momento Zen do dia #36

A Júlia estava amuar no quarto por ter sido castigada. Vocês sabem, sou uma mãe tão má...
A Ana queria estar com ela, mas a irmã expulsou-a.
Disse-lhe que não a chateasse mais.
Saiu da cozinha, de cabeça baixa e a rosnar:
- Também… tu nunca gostas de nós...

Ah, os quatro anos são os novos catorze, não são?

7 de março de 2020

A Ana tem 4 anos. 4 anos! A Ana tem 4 anos!!!!

Tem sido assim desde que acordou.
Esta miúda continua a fazer jus à sua alcunha de Caganita Maluca. Cada vez maior, mais esperta, gira e desenrascada.
Com um sentido de humor cada vez mais refinado. E com uma doçura a equilibrar o arranjo.
4 anos de Ana. 4 anos de aventura.


13 de setembro de 2019

Ruim

Serei porventura a única mãe a quem hoje não lhe deu um tremelique no canto do olho ao deixar a cria mais nova, criada em casa, no seu primeiro dia da pré-escola?
Devo ser mesmo ruim.
Ou então tenho uma miúda híper-motivada que não pára de falar na "escola dos pequeninos" desde que fez 3 anos, que ia cheia de vontade de conhecer os seus amigos, que estava mortinha por vestir o seu bibe e levar a mochila às costas, que assim que chegou correu para os braços abertos da Ana, que a conhece desde que nasceu, se sentou com os colegas a ver os bonecos e se esqueceu logo de mim.
Não, o coração não se me apertou quando parti com os irmãos para a outra escola, onde o mais velho vai entrar pela primeira vez.
Devo ser mesmo ruim.
Ou então talvez me venham finalmente as lágrimas aos olhos quando, na segunda-feira, deixar todas as minhas crias na escola e voltar sozinha para casa. Mas calculo que não sejam lágrimas de angústia…
Devo ser mesmo muito ruim.

"Tenho xol nos olhos, mãe!"

29 de março de 2019

Momento Zen do Dia #35

A ver um vídeo de brincadeiras com plasticina:
Mãe - Olha, o boneco tem dentes de muitas cores! Mas os nossos dentes só têm uma cor. De que cor são os dentes a sério, Nocas?
Nocas (olhando para mim) - Amarelos.

11 de fevereiro de 2019

Momento Zen do Dia #34

A tentar adormecer a Nocas, para poder tomar finalmente um duche durante a sesta dela:
Mãe: Vá, filhota, a mãe precisa de tomar um banho.
Nocas (traduzido): Cheiras a rabo! (seguido de um riso trocista)

Imagem retirada da net

7 de fevereiro de 2019

Momento Zen do Dia #33

Como a Nocas é a nossa última filha, temos vindo a dar as roupas e outros artigos que ela já não usa. Costumo dizer-lhe que aquelas coisas agora vão para outros bebés.

Ontem, ao dar-lhe mama antes de dormir, comentei com ela que qualquer dia ela ia deixar de mamar, que já estava crescida e o leitinho estava a acabar. Ela acenou com a cabeça e comentou:
- Outos bebés!


Hmmm, não filha, as maminhas ficam comigo, obrigada….


11 de novembro de 2018

Momento Zen do dia #32

No restaurante, depois de lhe ser retirado o prato, a Nocas repara que a mesa ficou suja em alguns pontos.
- Ó senhoia, limpa a mesa, favoi!


2 de maio de 2018

Sem hipótese

No outro dia, ao chegar, o pai encontrou à sua espera um pedaço de torta. Sentou-se a comer e:
Júlia - Falta o garfo, pai!
Ainda eu não tinha acabado de explicar que o pai não precisava porque não tinha por hábito ajavardar tudo com o chocolate, já a Ana trazia da cozinha um garfinho de sobremesa para o pai.
Pronto.

22 de janeiro de 2018

Momento Zen do dia #29

Quando a miúda choraminga a meio da noite, viras-te na sua direcção para a acalmar e... ela chucha-te o nariz!

Isso é co-sleeping!

E fome, pronto, ela tem fome...

10 de agosto de 2017

As fraldas da Caganita

Ora então, à terceira é que acordei para a vida e resolvi usar fraldas reutilizáveis.
E perguntam vocês: porquê?
Essencialmente porque me chateia todo o lixo que usar fraldas descartáveis produz. A sério, um saco de lixo cheio todos os dias. Mais as toalhitas. E os pacotes...

Vai-se a ver e usar fraldas de pano não é assim um bicho de sete cabeças como muita gente pensa. Simplesmente são fraldas, em tecido, que quando estão sujas se lavam e voltam a usar. Como a roupa.

Não me vou alongar aqui sobre os tipos de fraldas reutilizáveis que existem (e existem vários tipos de sistemas). Para isso deixo uma lista de links no fim deste post para se informarem melhor. Vou simplesmente falar da minha experiência de 17 meses.

Primeiro: aderi a grupos no Facebook de mães que utilizam as fraldas reutilizáveis. Fez toda a diferença. Ao princípio lia apenas as discussões e ia tirando as minhas dúvidas, caladinha no meu canto. Depois, já grávida, fui comprando aos poucos, algumas fraldas de cada tipo.

A minha mãe, entretanto, e como de costume, entusiasmou-se e comprou-me um carregamento de musselinas. O que vale é que eram das melhores, grossas e bem absorventes, que foram as mais usadas na fase de recém-nascido em que a Nocas tinha pernocas fininhas e depois quando ficou uma badochinha. Para essa fase tinha também algumas fraldas ajustadas modelo Lua, da Mita, que cedo tive de reforçar que a garota fazia imenso chichi. As capas que tinha revelaram-se um pouco grandes, apesar de eficientes, mas com mais uma compra ou outra logo ajustei o stock. Para saídas usava as fraldas Teenyfit, da Totsbots. São Tudo em Um (AIO), pelo que se revelaram as mais práticas para consultas e afins, em que queremos fazer tudo muito rápido. Este tipo de fralda, bem como as de bolso, são as mais parecidas com as fraldas descartáveis.

A primeira fralda, com uma semana (Teenyfit). Muito mal ajustada, com a ajuda das mães do Facebook logo aprendi a ajustar melhor.


Com uma musselina e um mês de idade (as pernocas já estavam a encher)

Uma capa Rumparooz RN com uma semana e com dois meses de idade.

Para as noites usei descartáveis nos primeiros dois meses, apesar de ter muitas fugas, especialmente aqueles cocós. Uma ajustada com capa teria dado menos trabalho a colocar do que ter de mudar a roupa toda. Ah well, ficam já avisadas.

À medida que a miúda ia crescendo fui passando para os tamanhos a seguir e os tamanhos únicos (TU), que já lhe começavam a assentar bem. Nessa altura já tinha percebido os tipos de fraldas que mais gostava e as marcas preferidas. Passei a usar ajustadas TU da Totsbots (as Bamboozle T2) com capas da mesma marca (Flexiwrap, que já não se fabricam, e as Peenut) para sestas e noites. Mas como a miúda é o que se chama uma ganda mijona, tenho de reforçar as fraldas para a noite (com absorventes de bambú e cânhamo). Parece muito, mas aguenta toda a noite.

Uma Bamboozle quando tinha dois meses e meio



A Bamboozle com um ano


Uma capa Peenut por cima de uma musselina, com 6 meses de idade

Continuei a usar as musselinas com capa, mas comecei a ter de reforçar a absorção (mijona) e comecei a ganhar o gosto às AIO TU da Totsbots, as Easyfit, na sua versão mais recente, as Star. É indecente eles terem padrões tão fofos, uma pessoa não lhes resiste. Agora as musselinas estão guardadas, como reserva para o Inverno, em que se molham mais fraldas.

Easyfit com dois meses e meio

Easyfit com 14 meses


Easyfit, no outro dia na piscina

Por falar em piscina, também há fraldas reutilizáveis para a piscina ;)

Não uso cremes de muda de fralda (já com as descartáveis não usava). Mudar frequentemente (quando está suja) evita assaduras. Também não é preciso andarem sempre a limpar, se tiver só chichi não vale a pena, a pele agradece. Quando há pele vermelha, ou mesmo assadura, uso pasta de água. Dissolve-se na água, não se agarra às fraldas como outros cremes, e é bastante eficiente. Usei tanto que tenho metade duma bisnaga há 17 meses e já deve estar a chegar ao fim do prazo de validade.

O que não gostei: fraldas de bolso. Chateia-me ter de colocar o absorvente no bolso, o que é parvo, porque as easyfit também têm um bolso para onde enfio parte do absorvente e dessas eu gosto. Eu devo ter um problema qualquer... Avançando, experimentei também fraldas de atilhos, mas não me ajeitei e não conseguia um bom ajuste. As fraldas da Mita, apesar de terem uma boa absorção para o dia, marcavam as pernas da Nocas e desfiz-me delas. Aliás, desfiz-me de tudo o que já não servia ou não usava, e consegui assim ter um bom retorno do investimento.

Acessórios: tenho as toalhitas que fiz (espreitem aqui), um saco de PUL para saídas, um balde grande que por cá andava há muito tempo. Uso toalhitas descartáveis nas saídas, mas como nem sempre limpo quando mudo a fralda, o pacote que está a uso comprei-o em Setembro do ano passado. Tenho liners de polar, reutilizáveis, que uso porque os cocós ainda saem muito pastosos e com os liners é mais fácil sacudir para a sanita.

Lavagem: as fraldas com chichi vão directamente para o balde, as que têm cocó, sacudo o maior na sanita e depois no lavatório tiro o resto. Espremo a fralda, apenas manchada de cocó, e vai para o balde. (Atenção, quando os miúdos estão a ser amamentados em exclusivo não precisam de tirar cocós, aquilo sai tudo na máquina. Quando começam a alimentação complementar é que já precisam de tirar cocós.) A cada dois dias, mando tudo para dentro da máquina de lavar, faço um ciclo rápido à moda de pré-lavagem, a frio, sem detergente e com centrifugação. Isto vai remover os resíduos de cocó e os chichis. Em seguida, coloco mais roupa na máquina  (da miúda, dos irmão, nossa, o que precisar de ser bem lavado) até perfazer cerca de 3/4 da capacidade da máquina e lavo tudo num ciclo longo, de 40 ou 60ºC, conforme o estado das fraldas e da roupa. No Verão uso um pouco de amaciador (pouquinho) porque senão, ao secar, fica tudo seco que nem bacalhau. A secagem é no estendal, com sol, que elimina qualquer mancha que não tenha saído na lavagem.

É difícil? Nope. É só mais um par de máquinas de roupa por semana.

Assim, resumindo, e porque cada bebé e mãe/pai são diferentes dos outros, o conselho, o mesmo que me deram, é o seguinte:
- informem-se primeiro, perguntem a quem tem experiência, pesquisem;
- comprar um pouco de cada para experimentar o que assenta melhor e o que mais gostam;
- comprar usado, que fica muito mais barato;
- vender o que não gostam/não usam (o pessoal agradece);
- quando souberem o que gostam e o que precisam já vale a pena comprar maior quantidade e novo, se preferirem;
- aproveitem promoções, produtos de segunda qualidade, juntem-se em encomendas maiores para pouparem portes;
-simplifiquem, a vida com os miúdos já é complicada, não acrescentem complicação a isso.

Resumindo, a experiência tem sido bastante positiva, tenho pena de não ter usado disto com os mais velhos, mas olha, vivendo e aprendendo.


Links úteis:
Tipos de fraldas
 http://www.eumae.pt/pt/post/filhos/mae.bio.logica.tipo.fraldas.reutilizaveis
 https://www.youtube.com/watch?v=Xy8-UBGxpaI
Acessórios
 http://www.eumae.pt/pt/post/filhos/mae.bio.logica.acessorios.fraldas.reutilizaveis
 https://youtu.be/6xSvzWj6fKw
Grupo no Facebook
 https://www.facebook.com/groups/fraldasretilizaveis.pt/
Grupos de compra e venda
 https://www.facebook.com/groups/compraevendafraldasreutilizaveis/
 https://www.facebook.com/groups/743210429165086/

20 de julho de 2017

Não me faltava mais nada...

Fui ao Jumbo com os miúdos e estava na fila para a caixa com a mais nova ao colo. A garota estava cheia de vontade de ir para o chão e esperneava e reclamava e eu a tentar distraí-la, brincava com ela, abanava-a... o normal, portanto.
Não é que um tipo qualquer, que estava atrás de nós na fila, se vira para mim com ar superior e diz "Isso é mimo! Se chora é porque é mimo."
Olhei para ele, olhei para ela e ainda respondi que ela queria era andar no chão, ao que ele deu uma risada, meio resfolegada, meio condescendente, meio trocista....
Eu é que sou uma cobardolas e nunca sei com reagir na altura. Devia ser mais como a Júlia que tem sempre a resposta na ponta da língua:
- Ora peço desculpa, senhor-especialista-na-educação-da-minha-filha, como é possível ter três filhos e não saber que o problema de minha miúda de quase ano e meio é mimo! Muito obrigada pela sua preciosa informação, tão voluntariamente oferecida pela sua sapientíssima pessoa, vai-me ser extremamente útil na minha tarefa de educar três crianças, tarefa na qual estou obviamente a falhar.
Não querem lá ver esta...

Fiquei tão impressionada...

9 de junho de 2017

Modo zombi

A mais nova espertou às 5 da manhã. Não é comum, mas normalmente costuma adormecer depois de um pouco de brincadeira. Desta vez não. Rebolou, sentou-se, pôs-se de pé, mamou, mamou outra vez, deu pontapés, beliscões, enfiou os dedos nos nossos olhos e narizes... Cansei-me e coloquei-a na cama dela, faz barulho, mas pára de me bater.
A juntar-se à festa esteve a gata. O que é que ela quer? Areia mudada, água e comida, tem tudo, só se quer as unhas cortadas... Agora não, vai dormir, desgraçada!
Desde as 5 até às 8, hora de levantar, dormi cerca de 10 minutos. Levanto-me, mais cansada e dorida do que quando me deitei (como é possível?) e as duas continuam a fazer a festa.
Sem sono, continuaram, juntas, na palhaçada enquanto eu e o pai cuidávamos dos irmãos, tomávamos o pequeno-almoço, tratávamos das nossas coisas... A gata e ela, ela e a gata, a percorrerem a casa toda, numa dança divertida (para elas), espalhando ainda mais coisas no chão.
Peguei nela, mudei-lhe a fralda, dei-lhe mama e ainda assim não queria dormir. Mantive-a no colo e finalmente fechou os olhos, apenas para os abrir quando a deitei. A gata também veio, como para desafiar o sono.
Agora ela dorme e a gata não se vê. Deve ter ido dormir também. E eu... vou cuidar de tudo, como sempre, dormir não me é permitido há 5 anos. Quem tem filhos percebe bem porque é que a privação de sono é uma técnica de tortura. Se me deixassem dormir eu falava. Não sei o que querem que eu diga, mas eu falo. Digo tudo, mas deixem-me dormir!
Vou trabalhar. Bom dia.

11 de dezembro de 2016

9 meses e uns dias

Fizeste 9 meses esta semana, Ana. Hoje cumpres tanto tempo cá fora como o que passaste dentro do meu corpo. Acho que podemos considerar que cumpriste a liberdade condicional.
A verdade é que me sinto mais unida a ti do que quando me davas pontapés do lado de dentro. Este vínculo que nos liga e que me diz quando tens fome, quando queres dormir e quando tens cocó (sim, já aprendi a identificar aquele choro irritado que fazes quando estás cagada) e quando tens medo (como ontem, ao entrarmos naquele restaurante cheio, não te mexeste um centímetro ao meu colo, só me apertaste o braço com toda a força das tuas mãozinhas de bebé - que não é assim tão pouca). Que me diz que esta noite não queres dormir sozinha na tua cama e mais do que ouvires a minha voz, queres sentir o meu calor (a Júlia é que não acha piada...).
Em 18 meses de existência, passaste de uma celulazinha a um ser humano pequenino cheio de personalidade. Por muito que conheça os mecanismos do desenvolvimento humano, nunca deixo de me fascinar. Já te sentas sozinha e estás a ensaiar gatinhar (embora não te importes de percorrer o teu espaço rastejando à tropa). Comes e mastigas comida sólida como gente grande apesar de só teres dois dentes. Preferes pão e mandas-me comer a papa e se quero fazer creme de legumes, tenho de tirar um pouco para a tua tigela antes de passar a sopa. Comes massas como se fossem amendoins (que, estejam descansados, ainda não te dei a provar) e adoras comer os corn flakes que a tua mana partilha contigo. És tão afectiva! Quando vês o pai ou os manos todo o teu corpo dança nessa tua linguagem a mostrar que queres um colinho. Encostas a tua cabecinha ao meu ombro e dás uns beijinhos de baba, enquanto escolhes dois ou três dos meus cabelos para arrancar.
Ainda mamas, com a confiança que terás este sustento enquanto quiseres. E não te enganas, eu não te engano, para ti e para mim, será até estarmos prontas.
És amada pelos teus irmãos, que tanto pediram que nascesses e que às vezes parece que fazem de propósito para te acordar ou fazer chorar (que relação ambígua esta, entre os irmãos, que passa de amor profundo a ódio visceral num piscar de olhos), mas que te amam, sem dúvida. Vê-se no olhar do Xavier quando brinca contigo e no orgulho na voz da Júlia quando fala de ti aos colegas.
Foi um ano do caraças, Nocas! Uma porcaria de ano, em muitos aspectos. Para todos nós. Mas tu és um dos poucos motivos para que 2016 seja lembrado com alegria. A nossa vida é muito mais caótica do que já era. Mais difícil. Mas somos hoje muito mais felizes.
Noquinhas, minha coisinha boa, minha bebé pequenina.








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