Mostrar mensagens com a etiqueta lições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lições. Mostrar todas as mensagens

11 de fevereiro de 2019

"Não me batas no rabo!"

No outro dia, ao deixar a Júlia na escola, despedi-me dela com um beijinho, palavras motivadoras e uma palmadinha no rabo.
Ela virou-se para mim e disse "Não me batas no rabo!"

Na idade dela nunca me passaria pela cabeça dizer uma coisa dessas aos meus pais… ou a qualquer outro adulto, na verdade.
Fico contente que a minha filha de sete anos tenha a capacidade e a confiança necessárias para determinar o que é ou não aceitável em relação a si e ao seu corpo.
"Mas é só uma palmadinha carinhosa!" Sim, é, e sem qualquer má intenção. Mas se eu não a respeitar neste ponto não lhe estou a ensinar o conceito de consentimento. Um conceito que se aprende desde tenra idade (lembram-se do "beijinho aos avós"?) e que a pode proteger de abusos.

Por isso, quando ela reclamou, eu dei-lhe razão e pedi-lhe desculpa.

imagem retirada daqui

1 de outubro de 2017

E votar, não?

Sempre acompanhei os meus pais às mesas de voto em dias de eleições. Desde pequena aprendi o que era um cartão de eleitor, um boletim de voto, como se dobra. Aprendi que o voto é secreto e porquê, que é um dever e um direito. Mais tarde aprendi que é um direito conseguido a muito custo. Por isso, a primeira coisa que quis fazer, assim que fiz 18 anos, foi recensear-me na Junta de Freguesia.
Por essa mesma razão sempre levei os miúdos comigo a votar, desde bebés.
Hoje, e porque as nossas mesas de voto eram em locais diferentes, eu e o pai separámo-nos. Ele levou o Xavier, eu fiquei com as miúdas. Pelo caminho contei à Júlia a importância especial de nós mulheres votarmos. Contei-lhe a história de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal. Que depois dela passaram-se 63 anos até que todas as mulheres pudessem votar. Tempo demais, na opinião da minha filha.
Chegadas à mesa de voto, foi a Júlia que entregou os meus documentos. Veio comigo para a cabina de voto, expliquei-lhe como se fazia, pedi-lhe segredo e foi ela que colocou, orgulhosamente, os boletins na urna. À volta, ainda me fez uma data de perguntas sobre o processo eleitoral.
Querem saber como combater a abstenção? Dar o exemplo é capaz de ajudar. O dia está bom. Que tal um passeio com os miúdos até à vossa mesa de voto?


19 de novembro de 2015

A magia das flores e das velas

Eu devo ser a pessoa mais cínica do mundo. Ou do Facebook, vá (o que hoje em dia é quase a mesma coisa...). É que nem as hormonas da gravidez, que me deviam deixar toda chorona e lamechas me fazem achar comovente o vídeo do pai a dizer ao garoto que as flores e as velas o iriam proteger das balas dos terroristas.

É que olho bem para a cara do miúdo e o olhar que ele lança ao pai e só o imagino a pensar. "Estás a brincar, certo?"

O puto é pequeno mas não é burro. As crianças têm uma inteligência muito prática e não me pareceu que esta tenha ficado convencida da magia das flores e das velas. Mas acho que fez a vontade ao pai, tipo: "se tu o dizes..."

Se fosse eu.... olha, se fosse eu dizia aos meus filhos que sim, há pessoas muito más no mundo. Mas também há pessoas boas. Que ajudam os outros. Pessoas que protegeram as que andavam nas ruas naquela noite, que as levaram a casa em segurança. Que acorreram em seu socorro. Que as flores e as velas não protegem, mas mostram que há quem seja bom e que há beleza no mundo.

Os miúdos percebem muita coisa desde muito cedo, há que lhes explicar as coisas de modo simples. Mas sem inventar muito. O mundo já é complicado suficiente para que as crianças tenham de tentar compreender como é que raio uns ramos de flores e umas velinhas os vão proteger de bombas e metralhadoras. Porque se eu dissesse isso ao Xavier, a pergunta seguinte seria: "Como?!"

E aí é que seria o diabo.....

Mas isso sou eu, a maior cínica do mundo. Se há quem seja feliz com unicórnios a cagar arco-íris magia, flores e velas... o que importa é ser feliz.

4 de outubro de 2015

Momento Zen do dia #15

Júlia: Ó mãe, ainda não puseste o estetatine na minha ferida!
Mãe: Diz-se betadine.
Júlia: Pois! Estetatine na minha ferida!
Mãe: Não. Betadine! Diz comigo: Be.
Júlia: Be.
Mãe: Ta.
Júlia: Ta
Mãe: Di.
Júlia: Di.
Mãe: Ne.
Júlia: Ne.
Mãe: Agora: Beta.
Júlia: Beta.
Mãe: Dine.
Júlia: Dine.
Mãe: Betadine.
Júlia: Betadine.
Mãe: Boa!
Júlia: E agora já vais por estetatine na minha ferida?

4 de maio de 2015

E se...

Inspirada pela Luísa d'A Horta Encantada e a Sofia dos Pais com P Grande, às vezes ponho-me a pensar:

E se eu ensinasse os meus filhos em casa? Era tão bom, descobrir tudo de novo pelos olhos deles, passar o tempo todo com eles, ensiná-los com tempo e respeito pelas suas capacidades e interesses...

Às vezes quase acredito que tenho em mim essa capacidade.


E depois há destes fins de semana prolongados. E... pois, afinal não.

15 de novembro de 2014

Alguém tem ideias?

Este ano estou a pensar fazer um Calendário do Advento, com actividades. Algumas divertidas, algumas com significado, mas de preferência simples e que não ocupem muito tempo, que a capacidade dos monstrinhos para se manterem atentos nestas idades não é muito grande...

Alguém tem sugestões?

3 de setembro de 2014

De coração partido... de novo

Rodrigo e Leonor.
Duas crianças da idade do Xavier que nunca conheci pessoalmente. Apenas segui as suas peripécias, aventuras e desventuras através do Facebook. Ao gostar das respectivas páginas tinha consciência de que o desfecho não seria o que esperava. E que me iria partir o coração.
Não me enganei.
Primeiro o Rodrigo. Chorei imenso. Mas não me arrependi de me ter envolvido na sua luta, na sua vida. Porque com ele aprendi que, mesmo se nos magoamos, vale a pena abrir o nosso coração e acreditar. E lutar.
Agora a Nonô. Pequena, irrequieta miúda, senhora de si. Foi hoje, há bocado. E eu choro. E vou chorar ainda por um tempo. Mas vou continuar a abrir o coração, porque só assim vale a pena viver.

Obrigada pequenitos. E obrigada mães Vanessas (curiosa coincidência esta, as duas mães partilham o mesmo nome...) e pais e irmãos e todos os que amam estas crianças, por partilharem connosco aqueles momentos preciosos. O meu coração hoje está partido, porque nem quero imaginar o que estão a sentir.

E amanhã quando os meus pequenitos voltarem vou apertá-los até se queixarem, para me lembrar de como sou afortunada.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...