23 de agosto de 2015

Momento Zen do dia #13

A sair de Castelo Branco:
Xavier: Já estamos quase a chegar a Penha Garcia?
Mãe: Não, ainda nem saímos de Castelo Branco!

Um bom bocado mais tarde, ao entrar numa povoação...
Xavier: Isto é Penha Garcia?
Mãe: Não, isto é São Miguel de Acha.

Mais à frente...
Xavier: E agora, já chegámos?
Mãe: Não! Ainda estamos em Proença-a-Velha!

...
Xavier: Penha Garcia?
Mãe: Medelim!
Xavier: Então e ainda falta muito?!
Mãe: Estás a ver aquele monte? Temos de ir à volta e depois chegamos.

Um minuto depois...
Xavier: Já chegámos?
Mãe: Mas tu ao menos ouviste o que eu disse?! Ainda não!

Depois de contornar Monsanto, chegamos finalmente a Penha Garcia. Começamos a subir a encosta e...
Xavier: Onde estamos?
Pai: A sério?! Estamos em Penha Garcia!
Xavier: Ah pois. Tinha-me esquecido...

12 de agosto de 2015

Meu herói

- Mamã, hoje na piscina salvei um gafanhoto que tinha caído na água!
- Foi? Boa!
- Sim! Peguei-lhe assim (mãos em concha) e ele fez-me cócegas (risos) e uma senhora tinha medo dele.
- E tu?
- Eu não! Salvei-o!

Não podia ter melhor motivo para estar orgulhoso.

28 de julho de 2015

Cena acabada de acontecer...

Chegada a casa, estafada, dei o lanche aos miúdos e sentei-me no sofá a descansar.
A Júlia foi à casa de banho e estava a demorar-se. Se eu não estivesse tão cansada, tinha ido ver o que se passava, mas a dor nas pernas mandou-me estar quieta.

Passado um bom bocado aparece-me a monstrinha.
- Mãe, agora não se pode ir à casa de banho, que o chão está muiado.
- Molhado porquê? (imaginei uma inundação)
- Puque estava sujo e eu estive a limpar.
- (glup) Limpaste como?
- Com toaítas.

Lá me tive de levantar para esclarecer o mistério.
Uma parte do chão da casa de banho estava com efeito molhado. Algumas toalhitas na sanita.
- Então como foi que limpaste isto?
- Com toaítas. Moiei-as no balde (que está na banheira) e limpei!

Muito orgulhosa!
A ver se da próxima vez se lembra que lhe prometi um pano para não me gastar as toalhitas todas...

29 de junho de 2015

Se a mãe diz....

Sabem aquela mania que os miúdos têm de nos imitar?

No outro dia tinha mandado a Júlia calçar as sandálias. Um minuto depois, aparece ela a segurar a sandália na mão:
- Mãe! Não consigo enfiar esta méda!

Engoli em seco e tentando não me rir perguntei, com a naturalidade que me foi possível:
- Esta quê, filha?
- Este fio... esta coisa... (não conseguia enfiar a correia na presilha).

Ups...

27 de junho de 2015

O Xavier já começou a perder peças!

E já tem outra para a caminho de a substituir.


Xavier: Mamã, a Leonor disse que a fada dos dentes me ia deixar uma prenda!
Eu: Ai sim? (obrigadinha Leonor...) E o que é que achas que vai ser?
Xavier: Já sei! O Henry [o monstro feliz] ganhou uma monstro-moeda quando lhe caiu uma presa! Mas... nós não usamos monstro-moedas...
Eu: E se for uma moeda normal, pode ser?
Xavier: Sim!!!

No dia seguinte ficou mesmo feliz logo de manhã (bem) cedo, ao descobrir a moeda.

10 de junho de 2015

Isto vai depressa demais....

"Sabes, mãe, já só faltam quatro meses!"
"Quatro meses para quê, filho?"
"Para fazer seis anos."
"Faltam nada! Então... Junho, Julho, Agosto, Set... Oh!"

Dei-lhe um grande abraço para ele não reparar nas lágrimas que me vieram aos olhos.

"Estás a ficar tão crescido..."

7 de maio de 2015

A Pisco

Nos tempos do secundário e da faculdade eu era conhecida pelos meus amigos (e alguns colegas) por Pisco. Por vezes também Pisquito, ou Pisquinho.
Há muitas Sónias da minha idade. Por duas vezes estive em turmas em que éramos 4. "Sónia", chamava o professor. "Qual delas?"
O pessoal foi-me chamando pelo meu apelido e eu fui-me habituando.

O meu "nom de guerre", como dizia um professor em Coimbra.

A Pisco.

Tornou-se de tal modo uma parte de mim que nem mudei de nome quando me casei.

Há quase oito anos que me mudei para esta cidade. Vim para um lugar onde não tinha nada nem ninguém para além daquele que é hoje o pai dos meus filhos.

Aqui sou conhecida por Sónia pela família do marido e pelos conhecidos. Mamã pelos miúdos. Mãe no infantário deles. Terapeuta Sónia no trabalho.

Aqui não sou a Pisco.
A Pisco ficou para trás. E eu sinto a sua falta. Aqui sou a mãe, a esposa, a nora, a fisioterapeuta.
Mas não a Pisco.

Sinto falta de ser só eu. De ter amigos que me conhecem por mim, não pelo papel que desempenho. Essa parte de mim foi com cada um dos amigos. Anda espalhada pelo mundo, na memória deles (espero). E na minha memória, bem lá no fundo, debaixo de camadas de mãe, mulher e profissional.

Mas no fundo ainda sou a Pisco. Ela ainda manda cá para cima postas de pescada, gritos de revolta e respostas sarcásticas que a profissional, a esposa e a nora têm de abafar. Ela ainda gosta de ver desenhos animados, debitar pedaços de conhecimentos e imitar vozes malucas que a mãe filtra e aproveita.

Mas a Pisco livre, essa ficou para trás. A Pisco despreocupada, a geek, a parceira de conversas, canções e banhos de sol já não sei dela.


Tenho saudades de me chamarem Pisco.
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